Slim Shady e as narrativas góticas no Hip-Hop

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Foi a partir do final do século XVIII e durante todo o Romantismo que se desenvolveu um tipo de relato que ficou conhecido como narrativa gótica.  O termo gótico adveio do primeiro romance dessa tendência: ‘O castelo de Otranto’, de Horace Walpole, cujo enredo (repleto de terror e mistério) se passa em um velho castelo gótico. Entre os escritores que seguiram esse gênero podemos destacar Mary Shelley (Frankenstein), Bram Stoker (Drácula), Álvares de Azevedo (Noite na taverna / Macário), Edgar Allan Poe (O gato preto / O corvo / A queda da casa de Usher), Charles Baudelaire (As Flores do Mal).  

Para entender melhor os elementos que compõem o gótico, vale ressaltar a citação da professora e pesquisadora de Teoria Literária Walnice Nogueira Galvão: “O gótico invoca as potências das trevas e exerce o ocultismo, a feitiçaria, a missa negra, a necrofilia, o culto ao demônio. Num clima onírico e sepulcral predominam o informe, o inquietante. Compõem o cenário o castelo mal-assombrado , o cemitério, as ruínas, a bruma, entre as imagens dos mundos ínferos (inferior, inferno), tais como a masmorra, o porão, o túmulo. Pouco se disfarçam a sedução da morte e do aniquilamento. A prosa tempestuosa mimetiza as pulsões e projeções do inconsciente, às voltas com a atração pelo sacrilégio e pela profanação.

O gótico não se encontra somente na literatura, mas também marca presença no cinema (Tim Burton e José Mojica Marins – Zé do Caixão são exemplos que logo surgem em nossa cabeça). No universo Hip-Hop também encontramos o gótico, sendo que podemos destacar um artista em especial: Slim Shady.

No caso de Eminem, o artista constrói narrativas góticas a partir de seu alter-ego Slim Shady, sendo que em suas respectivas histórias temos elementos como: a atração pela morte, o amoralismo com que se trai e se mata, compulsões a mutilação e ao canibalismo. A atmosfera aterradora domina músicas como: 3 a.m., Buffalo Bill, Same Song & Dance, Underground e Music Box.

Histórias góticas chegam ao seu ápice principalmente se forem desenvolvidas e contadas no calar da noite, já que o clima de escuridão dá o tom perfeito para que acontecimentos aterradores surjam, além disso, a Lua sempre emana essa atmosfera de suspense e mistério. Portanto, entende-se que a utilização da escuridão é um elemento enriquecedor nesse tipo de gênero literário, desse modo, Slim Shady inicia habilmente Same Song & Dance justamente pintando a atmosfera da escuridão: “Tem algo nisso cara… Mesma música e dança… Na pálida luz do luar…” Após essa introdução, mergulhamos num verdadeiro pesadelo opressivo, em que acompanhamos o eu-lírico sendo torturado por impulsos proibidos e consequentemente praticando ações que demonstram o lado perverso e sujo de sua alma.

A canção explora gradualmente o desejo de matar, a escolha das vítimas, a relação entre o caçador e a caça e, por fim, a efetivação dos homicídios múltiplos, sendo que todo esse ciclo torna-se vicioso, fazendo com que o protagonista se transforme em um serial killer. A narrativa é extremamente meticulosa, fazendo com que imaginemos cada uma das cenas em nossa cabeça, efeitos sensoriais como a clausura, o nervosismo e o terror são despertados no ouvinte. É impressionante o modo como somos tragados pela história e consequentemente sentíssemos estar no lugar das vítimas desesperados no banco do carro, tendo um serial killer dirigindo e soltando em brado tom: “Você nunca vai quebrar esse vidro, o para-brisa é mais forte que você!”

O rapper de Detroit certamente estudou minuciosamente o modus operandi (psicótica assinatura pessoal/marca registrada dos mais famosos e assustadores serial killers da história), já que ele capturou semelhantemente e utilizou no primeiro ato de Same Song & Dance a estratégia da qual Theodore Robert Bundy realizava para pegar suas vítimas (Ted Bundy enganava jovens estudantes, usando gesso no braço ou na perna, então ele pedia para alguma jovem que estivesse por perto para ajudar ele a guardar suas coisas no banco de trás de seu fusca, as jovens se solidarizavam, porém o que não sabiam é que para colocar as coisas no banco do fusca a pessoa acabava entrando com meio corpo dentro do veículo, de modo a alcançar o banco, então, nesse exato momento, Ted Bundy a empurrava para dentro rapidamente e batia a porta do carro, arrancava o gesso falso e entrava no carro, posteriormente ele algemava a vítima, enquanto isso as jovens descobriam que na porta de saída do veículo não havia trinco. O destino dessas jovens já estava selado).

A semelhança entre o primeiro ato da narrativa musical em relação ao modus operandi de Ted Bundy é impressionante, como podemos observar nas seguintes rimas de Shady: “Tá sem gasolina? Com pneu furado? Eu iria odiar se você ficasse isolada sozinha na loja de lavar roupas/ Eu te protejo…. Por que você não coloca tua cesta de roupas sujas aí atrás e senta aqui na frente comigo?/ Mas não pergunte se isso é uma armadilha/ Você acabou de ser roubada e sequestrada em plena luz do dia.”

Slim Shady também se utilizou do modus operandi de Edward Theodore Gein na ficcionalização do terceiro ato de Same Song & Dance, temos esse exemplo nas seguintes rimas:“Eu tô a ponto de fazer uma roupa com você/ Nova roupa? Merda, eu vou fazer um terno com você”. Edward Theodore Gein inspirou não apenas essas rimas, mas também o premiado filme ‘O Silêncio dos Inocentes’, especificamente na construção do personagem Buffalo Bill. Pra quem não sabe, Ed Gein foi um famoso serial killer que após matar suas vítimas retirava a pele delas para confeccionar roupas e poder vestir-se com elas.

Slim Shady fundiu habilmente o modus operandi de Ted Bundy e Ed Gein na construção de Same Song & Dance, uma das mais aterradoras canções do universo Hip-Hop, vale destacar também que o título da música funciona genialmente como uma metáfora para o significado modus operandi, sendo que o ‘mesmo som e dança’ representa perfeitamente a psicótica assinatura pessoal/ marca registrada de cada serial killer.

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Jeezy paga fiança de um milhão de dólares e está fora da cadeia

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De acordo com a MTV e Miss Info, Jeezy pagou a enorme fiança de um milhão de dólares por ter sido pego com armas ilegais de grande porte. Ele e cinco associados foram presos. Ele estava sob custódia desde o dia 24, e se declarou inocente.

O ônibus de Jeezy foi procurado após a morte de um homem de 38 anos perto do show da turnê Under the Influence of Music, de Wiz Khalifa. Foi achado uma AK-47 no veículo.

O disco Seen It All sairá dia 2 de Setembro, três dias depois, Jeezy participará de um julgamento

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Vídeo: Rick Ross – Drug Dealers Dream

Single do Mastermind.

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Vídeo: Boaz – Like This (Prod. by Illmind)

Boaz soltou hoje o seu visual para o vídeo do single Like This, produzido por Illmind. Direção de Matt Meehan. A mixtape Real Name, No Gimmicks Vol. 2 sai semana que vem.

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The Game – Dont Shoot (Michael Brown Tribute)

Rick Ross, 2 Chainz, Diddy, Fabolous, Wale, DJ Khaled, Swizz Beatz, Yo Gotti, Curren$y, Problem, King Pharaoh e TGT estão no tributo de Game ao jovem Mike Brown, morto pela polícia semanas atrás.

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Capa: T.I. – Paperwork: The Motion Picture

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Paperwork: The Motion Picture chegará as ruas dia 21 de Outubro. Com alguns singles lançados, o projeto ainda promete bastante com as participações de Rick Ross, Nipsey Hussle, Jeezy, The-Dream, Lil’ Boosie, Trae Tha Truth, Problem, e Pharrell, que é também o produtor executivo do disco.

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Vídeo: Stalley – Jackin’ Chevys

Stalley faz uma homenagem aos Chevrolets antigos que marcaram história. Na música que contém interpolações de Cruisin’ In My 64 de Eazy-E, o rapper de Cleveland fala sobre roubar os carros. O disco Ohio sai dia 28 de Outubro.

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