Eminem, Freud e o rap ‘Say Goodbye Hollywood’

Eminem_2242013110_1436-Freud

É impossível escutar o rap ‘Say Goodbye Hollywood’ de Eminem sem lembrar-se de uma história contada pelo psicanalista Sigmund Freud em seu texto de 1919: ‘Das Unheimliche – O inquietante’. Freud relata um acontecimento pelo qual passou: ele passeia por uma pequena cidade italiana e eis que vai parar num beco, em cujas janelas vê ‘mulheres maquiadas’. Prontamente, se afasta do local por ser um homem casado, porém Freud após continuar caminhando acaba vendo-se novamente, duas, três vezes no mesmo beco das mulheres maquiadas. Então, finalmente Freud encontra uma piazza(praça) sossegada que o reconforta.  Temos nesse caso relatado por Freud, um exemplo de ato falho, em que se opõem duas forças: atração e repulsão, ou seja, ser como que magnetizado pelas prostitutas e, por fim, conseguir fugir do local- evitando cometer o adultério.   

Na canção do rapper americano Eminem, ‘Say Goodbye Hollywood’, temos os mesmos elementos psicanalíticos que regiam a história de Freud, ou seja, ‘atração e repulsão’. Em sua narrativa musical, o rapper desvela fatos de sua vida pessoal e também aborda os efeitos da fama sobre ele, efeitos esses que acabam colocando o rapper e seus respectivos familiares numa espécie de bolha, sendo observados a todo o momento pela mídia. O cerne da música envolve a ‘atração’ de Eminem pela tríade rap/dinheiro/fama, já que terá a oportunidade de oferecer uma vida melhor para sua filha e ao mesmo tempo pode trabalhar com o gênero musical que tanto ama, porém nada vem de graça, e é justamente a mesma fama pela qual Eminem tanto batalhou para obter, que acaba lhe transformando em um personagem de reality-show, tendo sua privacidade totalmente destruída, é então que surge o elemento da ‘repulsão’, como podemos observar nas seguintes rimas: Se eu pudesse voltar atrás, eu nunca teria feito rap /Eu vendi minha alma para o demônio, nunca vou recebê-la de volta /Eu só quero sair desse jogo com a cabeça erguida /Imagina se transformar de um ser comum, um ninguém/ Até ver tudo estourando e a única coisa que você fez foi crescer cantando rap /É muito louco, porque a única coisa que eu queria era dar para Hailie uma vida que nunca tive/ Mas ao invés disso eu forcei a gente a viver alienado”.

Assim como Freud sentia atração e repulsão pela rua das mulheres maquiadas da Itália, Eminem também demonstra em sua canção estes dois elementos tão opostos (atração e repulsão) pela fama, já que o artista tece esta carta de despedida à Hollywood (repulsão), porém ao mesmo tempo esta despedida funciona como mais um rap de sucesso (atração), fazendo com que os holofotes continuem em sua direção. ‘Say Goodbye Hollywood’ é mais uma das canções de Eminem com um teor psicológico forte, sendo que é através do psicanalista Sigmund Freud que conseguimos mergulhar no âmago de um dos maiores artistas surgidos no universo Hip-Hop.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s