Big L e o impacto causado pela fusão da violência com o humor negro

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“A notícia, quando chegou, se espalhou dos becos aos clubes bacanas… por salas onde tudo que você poderia querer estava à venda… passando por confessionários onde tudo era pago. Se espalhou feito fogo… ou colocando mais apropriadamente… feito uma doença. Ele era uma doença que, de algum jeito, com a ajuda de Deus ou do Diabo… pode escolher… tinha convencido seus médicos de que não estava mais doente. A notícia se espalhou. Não sei os detalhes… ainda não sei por que, mas ele estava… o Coringa estava sendo liberado do Asilo Arkham.”

Talvez a descrição acima retirada da HQ ‘Coringa’ de Brian Azzarello seja o mais próximo do que se possa chegar ao entendimento do impacto e expectativa causados pelas músicas de Big L, especialmente aquelas em que ele utilizava a fusão da violência com o humor negro, sendo esta uma característica que também faz parte do personagem Coringa. Todos aqueles que já viram os filmes de Batman ou leram as HQs sabem que a figura do agente do caos (Coringa) é regada por um senso de humor dos mais doentios e também pela anarquia, possuindo como objetivo principal fazer o circo pegar fogo.

Big L adotou esse tipo de persona em algumas de suas músicas, como por exemplo: ‘Danger Zone’, ‘All Black’, ‘Devil’s Son’, ‘Platinum Plus’, ‘Who You Slidin’ Wit’, ‘Holdin’ It Down’ e também nos Freestyles de 95 e 98, feito no programa de rádio “Stretch & Bobbito Show”, provocando literalmente o caos na mente do ouvinte, fazendo com que o mesmo tenha seus pensamentos revirados num grande caldeirão de sensações. A última coisa que possa se dizer das faixas do mc de Harlem é que elas não provocam nada, pelo contrário, ninguém consegue sair ileso da experiência. Após o término dessas músicas você ainda se pergunta se realmente escutou aquilo. Como o rapper teve a coragem ou simplesmente a insanidade para soltar tais rimas?!  Escutar os raps de L é certamente uma experiência que você nunca mais esquece, devido o seu conteúdo, e mesmo com o tempo você não consegue se acostumar ao impacto efetivado, ou seja, ouvir suas músicas novamente é como se você estivesse passando por essa experiência pela primeira vez na sua vida.

Os efeitos sensoriais causados pelas letras certamente são diferentes de acordo com a mentalidade de cada ouvinte, provavelmente aqueles que pendem mais para o lado do politicamente correto devem se sentir horrorizados e enervados, enquanto os que são mais do lado politicamente incorreto devem ter a sensação equivalente ao êxtase ao escutar tais faixas. Enfim, todas essas sensações dependem de pessoa para pessoa, sendo que uma coisa é inegável, L causou um impacto enorme no cenário do rap e essa característica da fusão da violência com o humor negro serviria de inspiração para mais mc’s, entre eles: Eminem e Tyler, The Creator.

Ao explorar uma vertente tão forte e polêmica em sua música, o mc de Harlem eternizou seu nome, trouxe não apenas os olhos dos ouvintes para si, mas também despertou a atenção de outras lendas, é claro que outras habilidades também foram responsáveis por tal concretização, entre elas sua exímia técnica de escrita envolvendo rimas multi-silábicas e seu wordplay avançado; sua habilidade no Freestyle utilizando-se de punchlines regadas por um humor dos mais doentios – um aspecto muito importante, que inclusive influenciou muitos fãs de rap a considerarem Big L como o Rei das punchlines; construção de músicas com estruturas dramáticas (narrativas com personagens e progressão do enredo com clímax e desfecho); versatilidade nos temas trabalhados; inventividade; uma energia verbal que o colocou como um dos melhores no estilo hardcore – afinal não eram apenas suas letras que emanavam uma agressividade absurda, mas também sua performance vocal; e além de tudo isso, o rapper tinha um flow impecável. Vale ressaltar também que Big L foi o responsável por um dos melhores álbuns da história do rap, que inclusive está completando aniversário de 20 anos do seu lançamento neste ano de 2015, o álbum “Lifestylez Ov Da Poor & Dangerous”.

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